segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Irmão de Natureza Duvidosa (Texto e Audio)

 


Marcio Gil de Almeida
Conta-se que uma Piranha e um Tucunaré apaixonaram-se loucamente. Eles fizeram juras de amor, no entanto, não conseguiram ficar juntos, pois possuíam naturezas diferentes e suas famílias não aceitavam. Mesmo assim, tiveram um filhote por nome de Pirunaré e sua mãe já tinha outros filhotes com os quais firmou amizade. O irmão do coração dele era o Afelês. Eles brincavam e passeavam muitas vezes buscando aventuras. Mas, em um belo dia, entusiasmados pela grande amizade fizeram uma aliança de um cuidar do outro.

Assembleia das Arvores

  Por Marcio Gil de Almeida

As árvores estarrecidas e chocadas pela destruição implacável e mortes de muitas de suas irmãs e da estupidez dos filhos de Adão. Resolveram que deveriam reunir e conversar sobre o assunto. Nesta reunião, a tristeza, a dor, a desolação e a revolta eram patentes no ambiente discursivo. No ano de 1950, no dia vinte e um, do mês de setembro, foram registrados na ata da Assembléia das Árvores, os ocorridos.

O Cajueiro estava revoltado e agitava-se de um lado para o outro. Em meio tanta agitação, os seus galhos entrelaçavam e produziam ruídos, e aí falou em alta voz para toda a floresta ouvir:

- Vamos amigas promover um movimento revolucionário! Vamos iniciar uma guerra contra os filhos de Adão! Eles respiram o ar que nós purificamos, bebem da água que nós preservamos, comem do nosso fruto, se perfumam com as nossas flores, e são curados com as nossas folhas e raízes. Apesar disto tudo, eles nos derrubam, destroem e nos matam. Até quando vamos permitir tal horror?

Uma grande árvore, o Pau Brasil, alça os seus galhos e pede a palavra.

-Irmãs, não devemos entrar em guerra contra os homens, pois certamente vamos  ser derrotadas.

-Nós somos mais fortes do que eles, certamente vamos prevalecer, disse o Açaizeiro.

-Devemos entregar para Deus e ele vai resolver o problema, disse o Maracujazeiro.

-Deus presenteou com o livre arbítrio para os homens e já mostrou para eles que a natureza geme. No entanto, eles não dão ouvido, disse a Macieira.

De repente, um arbusto invade a reunião gritando em desespero, já quase sem fôlego e dá as novas e más noticias:

-Os filhos de Adão estão avançando em nossa direção com os monstros infernais, máquinas da destruição! Elas derrubam e arrancam as árvores. As novas e as velhas árvores são cruelmente esmagadas. Certa amiga, a jovem Goiabeira, estava cheia de pequenos frutos e fora destruída de uma forma implacável! Amigas, ela não tinha dado a sua primeira safra, era jovem e tinha muito a dar.

-Vamos amigas temos que reagir, disse o Cajueiro.

Então, se prepararam para a guerra. Quando os homens chegaram, as árvores não se conteram e reagiram fortemente. O resultado desta guerra não foi agradável. E desta forma aconteceu a destruição. Os homens eram os mais fracos, todavia, ganharam a guerra porque os monstros lhes eram favoráveis.

Talvez vocês não saibam, mas quem me contou esta história foi a última árvore, o Pau Brasil, duma cidade chamada Pau Brasil, dum país chamado Brasil. Este último Pau Brasil enviou-nos a seguinte mensagem:

“Os filhos de Adão desobedecem a Deus e ao destruírem as árvores, trazem grande mal para si. Sem árvores, sem ar e  água de qualidade, sem perfume, sem saúde e sem fruto. Desta forma, o homem está destinado à implosão existencial. Os filhos de Adão estão ficando sem árvores e sem vida. As árvores estão guerreando pela sobrevivência. Elas estão perdendo e os homens pensam que são vencedores. Todavia, o espelho do bom senso tem revelado que sem as árvores são seres destinados à morte pela própria estultícia. No dia 21 de setembro comemora-se o dia da Árvore e nós não queremos piedade, queremos respeito.”

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Marcio Gil de Almeida
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Conflito entre a Estrela e o Satélite

 



Autoria - Marcio Gil de Almeida

Certo dia, o Sol irritado, falou o que não devia com a Lua.  A reação do Lua foi o esperado e isto gerou um conflito. Um conflito entre uma Estrela e o um Satélite é um desgaste com conseqüências gravíssimas. Ninguém deseja conflitos, mas eles acontecem... Os conflitos deixam marcas e lições. O pior que pode acontecer de um conflito é ser insolúvel. Agora, vamos contar a estória do conflito.

O Sol e a Lua estavam em seu trabalho normal, quando o Sol chamou a atenção do Lua e disse:
-Estive observando como a humanidade gosta de ti.
-Realmente gostam muito de mim. Mas, você não fica longe... Afirmou a Lua.
-É claro que os humanos gostam mais de você. Se estiverem apaixonados, se amam ao luar. Se quiserem se divertir e festejarem em grupo, o fazem à noite quando impera Vossa Excelência. Disse o Sol.
-Acredito que o amigo está com ciúmes sem motivos, porque sem ti não haveria vida na terra. Novamente, falou a Lua.
-Você Lua, só brilha com a minha luz e não tem valor sem mim. A humanidade deveria gostar mais de mim do que de você. Falou o Sol.
-Sol, você é um chato, um mala sem alça, ciumento, confusento, louco etc. Está incomodado, siga o adágio dos humanos: “Os incomodados que se mudem”. Irritado e em alta voz, respondeu a Lua.

 O Sol ficou muito irado com a palavra da Lua. Pensou em brilhar em outra galáxia ou de não emitir a sua luz por um tempo. Pensou até mesmo em liberar calor de tamanha intensidade que iria queimar todo o sistema solar. Verdadeiramente, o coração do Sol ficou mais quente do que o normal. Voltemos à estória.

Um bolão

 


Nesta noite vou jogar um bolão,

Vou correr pelos campos dos prazeres,

Passar pelos seus seios,

Dar voltas nos pequenos círculos montanhosos e acariciá-los,

Serei levado instantaneamente pelos seus lábios ao mistério da conscentração,

Usarei as minhas mãos para passear entre os baixos e altos caminhos

Não serei impaciente, farei a jogada planejada e ardente

Não me conterei enquanto não passar entre as pernas

Entrar na área, fazer o gol e delirar em prazeres de amores inesquecíveis,

Serei um contigo, serei a bola e você a rede, serei o jogador e você o meu amor.


Categoria: Poesia//Autoria: Teol. Marcio Gil de Almeida



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Fabulas I

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Fábulas

O gênero textual fábula é fascinante. Este artigo estimula a imaginação, traz edições da vida, é um espaço para criatividade e bom humor, e encanto. Estas estórias sempre me chamam atenção, pois nossa atenção está sempre presente. Possui temas variados e foi escrito com o objetivo central de cultivar ou morrer de pensar / refletir e cultivar bons valores. 

Título das Fábulas

I- A Tecla com Complexo de Inferioridade 
II- Assembleia das Árvores 
III- Conflito entre a Estrela e o Satélite 
IV- Conversa de Bicicleta 
V- O Artigo 
VI- O Boi da Praça 
VII- O Fim do Disco Vinil 
VIII- O Grande Mal da Manipulação
IX- O Ministério das Meias Impares 
X- O Reino dos Espinhosos 
XI- O Reino dos Macacos 
XII- O Reino dos Urubus 
XIII - Origem do Texto - Parte I


Idioma: Português (brasileiro)
Produto em PDF



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Fábulas e Ilustrações no Capricho

 Este é o meu nono E-book e este trata de fábulas e ilustrações que já estavam escritas, mas não havia uma organização. Daí a ideia de organizar em um e-book.



É com prazer que apresento a minha nona obra, na qual complemento o livro Fábulas I e de forma distinta acrescento onze ilustrações.  
É bom chamar à atenção, que nas fábulas, duas delas estão ligadas a elementos gramaticais, uma sobre a origem do professor., outra sobre a origem do livro e uma sobre confiar com prudência.  
Nas ilustrações não há uma única temática. Elas simplesmente nos levam às reflexões diversas.

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Toque neste link

Fábulas 

1- A origem dos Professores Remunerados 
2-A Amizade de Serpente 
3-Irmão de Natureza Duvidosa 
4- Orthos -Aliens no Planeta Orthos: Pronomes  
5- Orthos - Um Planeta Sem Nomes 
6-O Encontro Mágico com Sepher  

Ilustrações 

1. Encarando o Fio de Cerol 
2. O Mistério das Meias Impares 
3. O Pequeno Vaso 
4. Dois Fios de Bigode  
5. Comendo Pimenta do Reino 
6. O Jeitinho 
7. O Nivelador 
8. Descendo a Escada 




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quarta-feira, 17 de setembro de 2025

Natureza de Cobra

 

 


Conta-se que em certa floresta, havia um número extraordinário de cobras. Estas cobras resolveram eleger uma rainha para elas. Ao passar o tempo,  a Rainha das cobras  resolveu fazer um grande banquete em festejo do seu aniversário.  Ora! Quando se fala em banquete muita comida é necessária. Então, a Rainha das cobras ordenou que todas as cobras formassem um grande circulo e aos poucos fossem fechando para capturarem animais pequenos com finalidade de usarem no banquete. Pois bem, o ciclo foi fechando e aprisionando  todos os animais de pequeno porte e  agradáveis ao paladar das cobras.

As cobras estavam felizes, mas, algo extraordinário aconteceu. Um animal de grande porte, um animal mágico e chamado de Unicórnio, estava dentro do círculo. Daí iniciou um diálogo entre o Unicórnio e a Rainha das cobras.

-Deixa-me sair do círculo. Disse o Unicórnio.
-Não vamos deixar você ir embora. Afirmou a Rainha das cobras.
-Eu sou demasiadamente grande para me comerem. Deixa-me ir. Disse o Unicórnio.
-Nós não vamos deixar você ir embora por que temos o prazer de matar, o prazer de ver a morte, afirmou a Rainha das cobras.

Então unicórnio insistiu...

-Mas, vocês sabem que eu sou um animal mágico? Que toda a floresta depende de mim? Que a floresta irá sofrer muito? Os animais irão sofrer enormemente e muitos sofrerão pela fome que virá? Indagou o Unicórnio.
- Nós não nos importamos com isso. É a nossa natureza. Afirmou a Rainha das cobras.
-Você sabe que, quem mata um Unicórnio será amaldiçoado? Questionou o Unicórnio.
-Nós, não nos importamos com isto. Afinal de contas, nós já somos amaldiçoados. Nós, não nos importamos com maldição alguma. É a nossa natureza. Finalizou a conversa, a majestosa Rainha das Cobras.

Nas árvores haviam aves que assistiam o diálogo. Estas aves, muito preocupadas, clamaram pela libertação do Unicórnio. Todavia, as cobras disseram que "não".

Então, as cobras, às suas centenas, atacaram e mataram o animal mágico, o Unicórnio. Naquele instante, nada aconteceu e parecia que nada iria acontecer. Entretanto, passando alguns dias, a floresta e os animais sem proteção foram atacados por magias malignas e por seres que tinham a missão de destruir a floresta. A aflição da fome alcançou a todos os animais e muitos morreram. As cobras ao verem a destruição e a morte de muitos, não se importaram, pois assim era a sua natureza.


Cuidado com as pessoas que têm a natureza de cobra. Nos seus interesses não há escrúpulos, não há piedade, só há o egoísmo e a sua vontade insana.

Quem tem a natureza de cobra, não se importa com a verdade, com a justiça, com o sofrimento alheio e nem com as consequências dos seus atos. Elas são o que são e o que importa é alcançarem os seus objetivos e o que mais gostam, controlarem a todos para o seu bel prazer fútil.

Autoria: Márcio Gil de Almeida


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O REINO DOS URUBUS

 Marcio Gil de Almeida


Certa vez, o Urubu Rei, muito insatisfeito com sua vida, disse que não se conformava com a atitude dos outros animais para com a sua espécie. Ele ficava indignado com a expressão facial dos demais animais. A demonstração de nojo para com os urubus era patente. Estar perto de um urubu significava que algo ruim iria acontecer, e aguentar o mau hálito dos urubus era impossível.
            O Urubu Rei tomou uma decisão. Convocou os companheiros e declarou: Vamos mudar a nossa imagem para sermos aceitos pela bicharada.  Para isto vamos mudar nosso hábito alimentar.
Então, houve no Reino dos Urubus uma mudança radical. A imagem mudou e trouxe  vantagens e desvantagens. Os urubus passaram a caçar, e de nojentos, foram transformados em temidos.  E não apenas isto, ganharam inimigos que procuravam oportunidades para atacá-los, pois concorriam no mesmo tipo de alimentação. Passado algum tempo, houve uma reunião e os súditos do Urubu Rei reclamaram que muitos companheiros foram mortos por outros animais.  Diziam:

- Antes, ninguém se interessava por nós e não éramos comidos. Agora, nós também viramos comida. Outra reclamação está com o novo tipo de comida, ela é menos abundante devido à alta concorrência, isto sem falar que caçar é exaustivo.  Perdemos a paz e as carniças estavam se perdendo porque ninguém as queria comer. Estamos com saudades da antiga vida.

O Urubu Rei percebeu que o seu reino estava sendo destruído e resolveu deixar a “boa imagem” de lado e voltaram ao antigo hábito alimentar. Afinal de contas, comer carniça tem muito mais vantagem.



Não há sabedoria em se viver de  “boa imagem”.
        Não existe coisa melhor do que sermos o que somos.
        A sabedoria nos leva a simplicidade.



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